Apesar da imagem de pacífica, fama talvez criada pela desobediência civil de Gandhi, a yoga e o hinduísmo, a Índia é bem violenta. Além da séria rixa com o Paquistão, existem tensões religiosas complexas entre hindus e muçulmanos indianos, que muitas vezes descambam para violência. Violência urbana, violência contra mulheres e terrorismo - seja ele patrocinado pelo Paquistão ou interno, promovido por grupos maoístas (os “Naxalitas” do leste do país) – também são fatos comuns. O exército é presença constante nas ruas, estradas e pontos importantes da infraestrutura, como aeroportos.
Apesar da presença massiva das forças armadas em todo lugar e principalmente na segurança do aeroporto – reforçada depois dos atentados terroristas de 2008 em Mumbai - a última coisa que passa pela sua cabeça ao sair-se do aeroporto é que a cidade é refém da violência. Ao contrário, a cidade transpira atividade, é um organismo vivo, vibrante e pulsante. A certeza que tive, cada vez que cheguei lá, é que realmente a Índia é superpovoada. As calçadas não são suficientes e as pessoas transbordam para o meio da rua.
O trânsito incrivelmente anda, apesar das centenas de carros e caminhões espremidos por metro quadrado e dos tuc-tucs (aquela moto coberta, com 3 rodas e 3 lugares), ou “auto-rickshaw”, como eles dizem, buscando espaço entre eles. Todos buzinam ao mesmo tempo mas não é para reclamar, é sim para avisar aos outros que estão passando. Passam a 1 ou 2 dedos um do outro, entram na frente, fecham e cortam.
Quem conhece o Largo 13 de Maio em São Paulo tem uma boa ideia de como é a paisagem em Mumbai. Calçadas tomadas de gente e camelôs, comercio popular, sujeira e água parada pelo chão. Tudo cercado por muitas favelas e obras inacabadas. As obras públicas normalmente têm poucos ou nenhum tapume ou sinalização. São meio abertas ao público, com buracos, ferragens, montes de terra e areia à vista. Demoram incríveis anos para serem finalizadas. E a impressão que tenho, indo de lá para cá pela metrópole, é que 90% dela tem essa cara de largo 13.
Essa é a impressão de um estrangeiro olhando uma cidade imensa que cresceu sem nenhum planejamento, recebendo milhões de pessoas que migraram do campo. Como paulistano, acho que essa também é a impressão que um estrangeiro tem quando chega a São Paulo, vendo a marginal congestionada, os motoboys a 100 por hora entre os carros, aqueles rios poluídos, as prisões perto do aeroporto, as favelas. Mumbai, assim como São Paulo, é o centro financeiro da Índia. Tem a maior indústria cinematográfica do mundo. E, incrivelmente, seus habitantes falam com orgulho e carinho da sua cidade, apesar de muitas vezes gastarem 2 horas para ir e 2 horas para voltar do trabalho, todos os dias. Vai entender...
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