No capitulo comidas estranhas a mais destacada é o pepino do mar. Já o vi várias vezes no supermercado, empanado. Não só vi como peguei na mão (o pacote, não o pepino). Fica no refrigerador, numa bandejinha de isopor enrolada em filme plástico transparente. Já comi ovo de formiga, larva de besouro e água viva, então acabei experimentando o pepino em um restaurante. Não tem gosto e me pareceu feito de borracha.
Também tem umas bandejas iguais com pés de frango. Dizem que bem fritinho é gostoso. Não deu vontade. Cabeça de peixe é outra. Apesar de ser considerada uma iguaria, não pedi. Já provei a bochecha do peixe, que é saborosa, mas nunca pedi um prato só de cabeça. Outro dia, num restaurante, o cardápio tinha fotos. Tinha um frango deitado de barriga para cima, com cabeça e tudo. Tínhamos escolhido o prato, mas, quando vimos a foto, passamos para a próxima opção. Os patos e frangos assados ficam pendurados nas vitrines dos restaurantes, inteiros. Outro dia notei que o bico do pato também estava assado, douradinho como o resto. Eles deixam a cabeça para sabermos que é pato mesmo, acho. Esse é uma delícia; servem cortado em tiras com arroz ou, se for pato de Pequim, fazem umas panquecas bem pequenas, recheadas com as fatias do pato, molho e vegetais.
Amigos já comeram cobra, rato e morcego aqui na Ásia; hoje soube de uma brasileira comendo cachorro na Coréia e outros viram o bichinho no açougue. Pensando bem, nós também temos comidas bem estranhas, como pato ao tucupi, buchada de bode, úbere de vaca churrasqueado, dobradinha; a própria feijoada é bem esquisita para quem não está acostumado: um caldo preto, cheio de gordura boiando e com um monte de pedaços não identificados de porco.
Diferente ou estranha, ou não, Cingapura é famosa por sua culinária e pelo gosto que os seus moradores têm pela comida. Existem incontáveis restaurantes, sempre cheios. Os moradores debatem incansavelmente qual o melhor “chilli crab” ou “chicken rice”. O chilli crab, que é um caranguejo gigante cozido e servido num molho denso de tomate e pimenta vermelha, tem um primo, o pepper crab. Este vem num molho de pimenta do reino. Os dois são comidos com as mãos e mergulhando pedaços de pão no molho. Ótimos, mas não é algo que se coma todo dia.
Em todo lugar se encontra boa comida, seja ela tailandesa, indonésia, japonesa, taiwanesa, cingapuriana, malaia, indiana, vietnamita ou cambojana. Tem umas praças de alimentação, como as de shopping centers; só que elas ficam em todos os lugares, incluindo os shoppings. Cada lojinha nessas praças vende comida de um tipo diferente, de todas as especialidades cingapurianas e algumas de outros países asiáticos. Meus favoritos são “popiah”, que é um tipo de panqueca recheada, “prata”, um pão indiano achatado como pão sírio e recheado e “duck rice” ou “duck noodle”, que é o pato assado servido com arroz ou massa e com um molho delicioso. Mas, na minha opinião, o campeão é o “chicken rice”; o arroz é super saboroso, cozido com o caldo do frango. Por cima eles colocam um peito de frango cozido e fatiado bem macio e suculento, uma redução de caldo de frango e molho de soja e fatias de pepino. Come-se com pimenta e molho de soja bem denso. Simples e delicioso.
Nesses “food courts” ou “hawker centers”, as lojinhas especializadas em comida só vendem comida. As bebidas são encontradas em outras lojas, que fazem sucos ou vendem refrescos e refrigerantes. O detalhe é que nenhuma das lojas de comida fornece os guardanapos de papel. Você tem que comprá-los nas lojas de sucos e bebidas por 30 centavos. Eles servem, além de limpar as mãos e a boca, para reservar a mesa. Deixa-se o pacote de guardanapos lá enquanto busca-se a comida. Ninguém rouba o lugar; ou os guardanapos.
Um comentário:
Argh!!!
abs vegetarianos,
José Luiz (Gigi).
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