quarta-feira, 15 de junho de 2011

Poson Poya Day

Tivemos muita sorte no Sri Lanka, assim como tínhamos tido no Vietnã. Programamos nossa viagem, sem saber, para o período da lua cheia. Para os budistas, essa é uma data especial.

Em Hoi An, no Vietnã, chegamos à cidade para jantar e demos de cara com as ruas cheias e em clima de festa. Lembrei que tinha lido algo e fui conferir - noite de lua cheia. Todo mundo vai para a rua comemorar e a cidade fica em festa. Vimos teatro tradicional na rua, crianças demonstrando artes marciais, sorteios, jogos, barraquinhas vendendo comida e bebida. Tínhamos lido que a tradição lá é apagar todas as luzes da cidade, e tivemos sorte de estar bem ao lado do rio quando isso aconteceu.

As luzes se apagam e todo mundo compra velas de vendedores ambulantes; as velas são montadas em pequenos barquinhos de papel e os próprios vendedores se encarregam de colocá-las no rio. Este fica iluminado, além da lua, pelas inúmeras velas flutuando nas suas águas. É lindo e encantado, uma imagem muito poética; aí começaram os shows. Em barcos montados como carros alegóricos, com figuras de dragões e diversos animais, cantores e conjuntos musicais animam o povo agrupado nas margens. Os barcos são muito coloridos e iluminados; junto às velas boiando completam um espetáculo muito bonito.

No Sri Lanka novamente tivemos a sorte de estarmos na cidade de Kandy em plena lua cheia. Nessa cidade fica o Templo do Dente , que aloja um dente do Buda, uma relíquia muito sagrada para o budismo desse país. Mais do que lua cheia, 15 de junho é o chamado “Poson full-moon poya day”, o dia em que a religião foi introduzida no pais no século 3 aC. Nada mais natural que neste dia especial, feriado aqui, toda a gente visite o templo. A cidade fica em festa; comercio fechado, todo mundo vai para a rua vestido de branco, bandeirinhas por todo lado e barracas distribuindo comida e bebida de graça. Perto do templo, os elefantes sagrados ficam na rua. Tem procissões para todos os lados; vimos uma de motocicletas e outra onde dois elefantes vestidos de vermelho desfilavam no meio da multidão.

O templo é um capitulo à parte. Dezenas de milhares de pessoas vão até lá para ver a urna onde a relíquia está guardada, orar e acender lamparinas de óleo. Nós entramos na fila com todos eles. Foi um certo empurra-empurra, mas a experiência de ter visitado o templo nesse dia foi especial. Todos rezando fervorosamente e avidamente buscando a melhor vista da relíquia; crianças e idosos com a mesma seriedade e respeito pacientemente esperando sua vez de pagar seus respeitos ao Buda. Muitos carregando arranjos de flor de lótus e carinhosamente colocando-os na frente do relicário.

Ao sair de dentro do prédio para o seu jardim, deparamos com centenas de peregrinos vestidos de branco, sentados comendo o almoço oferecido pelo templo. Uma casa de vidro, parecida com uma estufa de plantas, com dezenas de lamparinas acesas sobre prateleiras, enfeitava o pátio. Os elefantes passavam por trás disso tudo, contribuindo para o ambiente quase onírico, completado por macacos escalando as paredes e tentando conseguir um resto de almoço. Nada como estar no lugar certo na hora certa.

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