terça-feira, 21 de junho de 2011

Como ir a outro planeta sem pegar um foguete

Quem viu Guerra nas Estrelas deve entender. Lembra-se daqueles planetas onde os Jedi chegavam e iam a um tipo de feira livre, ou a um bar, onde desfilavam todos os tipos mais estranhos? Pelas ruas cheias de poeira andavam uns tipos com cinco olhos, outros que pareciam macacos (primos do Chewbacca), uns bichões esquisitos parecidos com dinossauros carregando ET’s com várias pernas? Bom, tenho certeza que o George Lucas inspirou-se na Índia para compor aqueles planetas.

Uma cidade do interior da Índia tem aquela cara. Uns tipos bem altos e magros com roupas brancas e turbantes fazem suas compras. As mulheres com saris de todas as cores. De vez em quando passa um Sadhu só com uns panos enrolados no corpo. Homens e mulheres muçulmanos convivendo com hindus e sikhs. Camelos puxando carroças. Vacas no meio da rua e porcos fuçando montes de lixo. Muita gente para todos os lados, na calçada, no meio da rua. Barraquinhas vendendo de tudo para todos os lados. E os carros buzinando sem parar.

Ao longo da estrada, em cada vila – e tem vila mais ou menos a cada 1 km –, os carros, motos, camelos, lambretas, pessoas, vacas, cachorros, caminhões, bicicletas atravessam a pista. De vez em quando uma moto, um camelo ou até um caminhão aparece na contramão. Algumas motos carregadas de mercadorias ou auto-riquixás com famílias inteiras vão calmamente pelo meio da pista a 30 por hora. Barraquinhas por todos os lados vendendo de tudo na beira da estrada. E o motorista buzinando sem parar. Sem parar não é figura de linguagem. É uma buzinada a cada 15 ou 20 segundos, para que essa turma toda desvie da van que vai passando.

Chegamos a um dos sete rios sagrados da Índia. No caminho até o rio passamos pelo meio de uma vila, onde havia uns trabalhadores dedicados à tarefa de limpar os esgotos. Eles estavam só de sunga (bem, um tipo de sunga, um pano enrolado) e entravam na cisterna com um balde para recolher os dejetos. No rio, centenas de pessoas com roupas típicas celebrando um festival em homenagem ao rio e suas divindades.

De repente chega-se a um lugarejo, onde uma fortaleza de milhares de anos, linda e perfeitamente conservada, o vigia do alto do morro. Subimos na costa de elefantes, que nos levam a visitar o forte. Adoro a Índia, estive lá muitas vezes e quero voltar outras mais, justamente porque é um pais tão singular. Um lugar tão diferente e fascinante que me fez ter a impressão de ter desembarcado no planeta Tatooine.

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